segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

JANELAS DE MARINETTI (fragmentos)

                                      Jequié -  Foto: Zenilton Meira

Cidade dura e arreganhada para o sol
como uma posta de carne do sol,
onde na Rua do Maracujá adolesci
e, louco, sorvia a vida a talagadas de cachaça de alambique.
Graveto-do-cão pitu luar do sertão.
Uma ponte corta um rio de fazer contas.
Arco e flecha de Sultão das Matas
Mira certeiro as ventas do dragão lá na lua.

Uma seta e um nome tupi de cidade em uma placa
- é, é,  jequi, cesto oblongo de cipó pra pegar peixe n'água, é é, -
e a rua de paralelepípedo e a rua de chão batido
e a outra rua metade paralelepípedo metade chão batido
lembra jurema pé de joá cacto mandacaru [...]

Rua das pedrinhas...
guito guigó... bolha de mijo de potó [...]
urubuservar a vida do alto do urubuservatório. [...]
carvão apagado
tição perdido e achado aceso
(no meio-dia calcinado
carvão forja diamante) [...]

essa alegria, motor que me move.
nascido com o auxílio das mãos da parteira mãe jove
para todo o sempre confino
o registro da palavra rotina [...] 
da palavra enigma.

Cidade-sol
Heliópolis,Baalbeck
da minha infância desterrada.

Waly Salomão
In: Revista Bahia em Foco. Ano I. N.1, maio 2001, p.22.

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